CIDADANIA

Urbanista Ermínia Maricato debate direito à cidade em Natal

Natal recebe na próxima semana a visita de uma das mais renomadas urbanistas e pesquisadoras do país.

A professora e ativista Ermínia Maricato é a convidada especial do Fórum de Direito à Cidade, promovido em parceria pelos departamentos de Arquitetura e Políticas Públicas da UFRN.

O tema desta edição é Caminhos para a Construção de Territórios Inclusivos. O evento acontece nos dias 30 e 31 de julho. A coordenação é dos professores Ruth Ataíde e Alexsandro Ferreira. A entrada é gratuita e as inscrições podem ser feitas aqui

A conferência de abertura com a professora Ermínia Maricato ocorre na próxima segunda-feira (30), a partir das 8h30, no auditório da reitoria da UFRN.

Além da palestra principal, o fórum será construído a partir do debate em grupos temáticos. Durante o encontro estarão em pauta temas como espaço público; patrimônio; planejamento, gestão urbana e territorial; e mobilidade.

Ermínia Maricato: críticas à Rede Globo

Professora universitária, pesquisadora acadêmica, ativista política, Ermínia Maricato ocupou cargos públicos na Prefeitura da Cidade de São Paulo, onde foi Secretária de Habitação e Desenvolvimento Urbano (1989-1992) e no Governo Federal, onde foi Secretária Executiva do Ministério das Cidades (2003- 2005) cuja proposta de criação se deu sob sua coordenação.

Como ativista política foi escolhida para defender a proposta de Reforma Urbana de iniciativa popular junto à Assembleia Constituinte do Brasil, em 1988. É professora aposentada pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.

No início do mês, Ermínia se recusou a conceder entrevista ao programa Fantástico, da Rede Globo, e divulgou o conteúdo do e-mail na internet. Segue abaixo, na íntegra, o conteúdo:

“Divido com vocês porque não é sempre que a gente sapateia sobre a Globo. Em geral é o contrário. E todos os dias. 

Querido XXXX, se eu tivesse garantia de que vocês iriam divulgar exatamente o que eu disser teria o maior prazer em dar a entrevista, mas infelizmente não acredito que vocês terão coragem de criticar os especuladores imobiliários, as prefeituras dominadas por interesses de proprietários de imóveis e incorporadores, o judiciário que desconhece a legislação urbanística e a função social da propriedade…

Tenho certeza de que vocês vão divulgar: houve um investimento gigantesco, como nunca no país, com muitos subsídios para a população de baixa renda e no entanto o preço da moradia subiu (mais de 200% entre 2009 e 2015), o preço dos aluguéis subiu (hoje mais da metade do déficit é devido ao excesso de comprometimento da renda com aluguéis).

Devido à falta de regulação fundiária e imobiliária e graças ao processo especulativo as cidades explodiram tornando-se mais dispersas. Isso significa que elas estão mais caras e menos sustentáveis. Acontece que a regulação do uso e da ocupação do solo é municipal. É evidente que o governo federal errou ao apostar apenas no movimento de obras que seguraria o crescimento do PIB e do emprego após a crise de 2008 sem atentar para o que construir e principalmente ONDE CONSTRUIR, mas a especulação generalizada não foi responsabilidade apenas do Governo Federal. Em período de FLA X FLU não há espaço para reflexões complexas. E na Globo muito menos. É pena. Quem sofre somos todos nós e principalmente o povo e o meio ambiente. Não me queira mal. Mas não quero ser usada para criticar o PT. Os problemas são bem mais profundos. Abraço”.

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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