DEMOCRACIA

Uso de máscaras, abertura de leitos e decretos de isolamento social provocaram queda de casos e óbitos por Covid-19 no RN, explica cientista

A redução no número de casos e mortes por Covid-19 no Rio Grande do Norte foi provocada por três fatores: o uso de máscaras pela população, a abertura de mais de 580 leitos (283 só de UTI) pelo Governo do Estado e as determinações previstas em decretos estaduais determinando o isolamento social.

A análise é do cientista, pesquisador e professor do Departamento de Física da UFRN José Dias do Nascimento Júnior, que vem desenvolvendo modelos matemáticos com projeções sobre os cenários da pandemia do Rio Grande do Norte, Ceará, Pernambuco e também vem auxiliando o comitê científico do Nordeste, coordenado pelo ex-ministro da Ciência e Tecnologia Sérgio Rezende e pelo neurocientista Miguel Nicolelis. Nascimento chegou a integrar o comitê científico estadual, mas saiu do grupo há duas semanas após divergências internas.

Para ele, os decretos orientando as pessoas a ficarem em casa foram importantes para diminuir a velocidade de transmissão do vírus. E elege a suspensão das aulas – que tirou de circulação mais de 1 milhão de pessoas no Estado – como uma das principais medidas para a melhora dos números:

– Num estado com população de 3,4 milhões de pessoas, temos aproximadamente 1 milhão de estudantes que deixaram de circular. Os decretos foram acontecendo e passamos para o cenário otimista, mas devemos ter muita cautela ainda. Importante também foi o decreto de 4 de junho, que estabeleceu o isolamento social mais rígido. O conjunto de decretos que o Rio Grande do Norte seguiu foi importante, uma parte da população ainda está em casa”, analisou, em entrevista a InterTV Cabugi.

A média de isolamento social no Rio Grande do Norte tem variado entre 39% e 43%. Os dados são divulgados pela empresa In Loco e são usados como parâmetro pelo Governo do Estado. O cientista, porém, discorda da metodologia das medições que levam em consideração a cobertura de telefonia móvel da população, o que não contempla todas as regiões.

Projetando o futuro, o cientista acha temerário falar em volta às aulas nesse momento, como o Governo chegou a divulgar. Ele destacou que qualquer movimento na mobilidade social pode alterar a curva:

– As escolas não devem voltar enquanto a situação não volte ao controle. Esse cuidado deve ser algo prioritário”, recomendou.

O Rio Grande do Norte tem atualmente 1.443 mortes confirmadas e 40.341 casos diagnosticados de Covid-19. Ainda estão sob investigação 221 óbitos. O Rio Grande do Norte é atualmente o estado com a maior média por semana de redução no número de mortes por coronavírus no país. No período, a redução foi de 39%, levando em conta os números reunidos pelo consórcio dos veículos de comunicação que vem divulgando os números da Covid-19 em paralelo ao Ministério da Saúde. A secretaria de Estado de Saúde Pública vem divulgando uma média diária de oito óbitos por dia. Para Nascimento, o trabalho deve ser feito para reduzir ou, pelo menos, estabilizar esses números:

– Ainda não há uma situação de total controle, pessoas ainda podem adoecer. É preciso baixar o contágio, ou pelo menos segurar para não ter uma rede de contágio. É preciso muito cuidado”, disse.

Mais de 800 mil pessoas já tiveram contato com o Coronavírus, diz projeção

Pelas redes sociais, o cientista e pesquisador da UFRN afirmou que as projeções dele indicam que 887.908 pessoas já tiveram contato com o novo Coronavírus no Rio Grande do Norte. Esse dado representa 39% da imunidade de rebanho, quando a exposição da população ao vírus faz com que o número de novos casos seja reduzido. Para que a população potiguar atinja esse estágio, Nascimento estima que 2,275 milhões de pessoas precisariam ter contato com o Coronavírus.

Nesta terça-feira (14), a Organização Organização Pan-americana da Saúde afirmou que o continente americano foi responsável por 64% das novas mortes por Covid-19 registradas na última semana e 60% de todos os novos casos de contaminação pelo novo coronavírus. O órgão, que é o braço da Organização Mundial da Saúde (OMS) na América, afirmou que não há evidências de que o Brasil tenha atingido a imunidade de rebanho.

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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