CIDADANIA

Vagas do ProUni têm queda de 36% no RN; estudantes com acesso à bolsa comemoram programa

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A assistente social Larissa Carvalho, 24 anos, trabalhava no contra-turno da faculdade para pagar metade da mensalidade do curso na UNI-RN. A outra metade era financiada pelo Programa Universidade Para Todos, que completa 15 anos em 2020. Ela foi beneficiária do ProUni de forma parcial e, nessa dupla jornada, conquistou o diploma do curso de Serviço Social em 2018. A formação de nível superior só foi possível em razão da bolsa do programa federal.

– É com ferramentas como essa que a classe trabalhadora consegue vislumbrar fazer um ensino superior, pois uma parte pequena dessa população consegue se qualificar para atingir as notas da federal. Quem ingressa pelo Prouni ou Fies sente a diferença do que é na federal, que conta com programas de assistência estudantil para alunos de baixa renda. Na particular a gente tem que trabalhar pra conseguir manter os estudos”, conta.

Há pouco mais 15 anos o acesso à educação superior privada não é mais um privilégio garantido apenas para os detentores de maior poder aquisitivo. Em 13 de janeiro de 2005, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionava a lei nº 11.096, que criou o ProUni, com o objetivo de conceder bolsas de estudo integrais e parciais para cursos de graduação em instituições privadas de ensino superior.

O benefício completa a idade de debutante com oscilações nos números de vagas ofertadas, porém dando seguimento à universalização do ensino superior. No Rio Grande do Norte, houve uma queda de 36,2% no número de vagas no período de 2015 (4.175 bolsas) a 2018 (2.660). De acordo com o Ministério da Educação, no primeiro semestre de 2019, foram disponibilizadas 1.623 oportunidades, entre bolsas parciais e integrais. O MEC não disponibilizou os dados totais do ano passado.

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Nacionalmente, o cenário é de crescimento. Nos últimos 5 anos, a oferta de vagas cresceu 26%, com 417 mil em 2018 e 244 mil só no primeiro semestre letivo do ano passado.

O músico e estudante de Direito da Universidade Potiguar (UnP), Vinicius Gabriel, de 19 anos, sente falta das políticas de permanência inexistentes em instituições privadas. Morador do município de Macaíba, região metropolitana de Natal, ele se desloca para a capital todos os dias. “Para mim a única dificuldade é a falta dessa assistência, pois, apesar de não ter gastos com mensalidade, existem gastos com passagens dos quatro ônibus por dia, por exemplo. Mesmo assim, a gente vai se virando como pode”, relata o estudante.

Para a ex-professora da UNP Valéria Credidio, a oportunidade de acesso à educação superior é capaz de mudar as vidas de estudantes de baixa renda. Ela observa que muitos desses estudantes que estão nas instituições através do Prouni são, em boa parte das vezes, os mais atentos e interessados:

“Eles (os alunos) chegam com vontade de aproveitar a chance, apresentam um desempenho melhor até, porque tem nos estudos a possibilidade de mudar suas vidas, um dos meus alunos era gari e super interessado. Uma curiosidade interessante é que os laureados das turmas, frequentemente, são esses alunos bolsistas”, exemplifica.

Além dos critérios de baixa renda, o bom desempenho é requisito para a continuação do aluno no curso.

Quanto à discriminação de classe dentro das salas de aula, a professora diz ainda que nunca notou ou presenciou tais atitudes. “Que eu saiba isso nunca aconteceu, todos os alunos são muito bem tratados tanto pelos colegas quanto pelos professores”, finaliza.

Estudante da mesma instituição, Leonardo Barbosa diz que nunca sofreu diretamente com esse tipo de preconceito, mas não nega que ele exista:

“Nunca cheguei a sofrer com isso mas, já presenciei com alguns amigos de outros cursos mais ‘elitizados’ como Direito e Medicina. Isso não muda o fato de que o ProUni é um programa de extrema importância que ajuda diversas pessoas que sonham em ter um diploma. Assim eu consegui ter oportunidade de crescimento profissional e através da graduação pude me inserir no mercado de trabalho”, diz.

Para os que não querem perder a chance de ingressar na universidade, a temporada 2020 dos três principais programas de acesso à educação superior começa em breve. No próximo dia 17 serão divulgados os resultados do ENEM. No dia 21 abrem as inscrições para o Sistema de Seleção Unificada, Sisu, e no dia 28 é a vez da abertura de vagas para o ProUni. As inscrições para o FIES serão disponibilizadas em 5 de fevereiro.

 

 

 

 

 

 

 

 

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