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Valor da cesta básica aumenta e salário mínimo precisaria ser de mais de R$ 5 mil, estima Dieese

O Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) publicou na última semana a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos referente aos preços de abril de 2021 em 17 capitais. De acordo com o órgão, o valor dos alimentos subiu em pelo 15 das cidades verificadas e diminuiu em outras duas.

Das seis cidades pesquisadas no Nordeste, Natal é a terceira com maior aumento em abril, com variação de 0,14% no mês passado. Além disso, a capital potiguar figura entre os lugares onde houve maiores altas nos quatro primeiros meses de 2021, com 4,24% de aumento. Fortaleza (variação de 1,59%) e João Pessoa (2,41%) passam à frente regionalmente.

Dessa forma, atualmente, o natalense compromete 47% do salário mínimo vigente (R$ 1,100) somente com alimentação. O que equivale a pelo menos R$ 478,23.

Na análise nacional dos primeiros quatro meses do ano, a sede administrativa do Rio Grande do Norte fica atrás apenas de Curitiba, onde registrou-se alta de 8% de janeiro a abril.

Durante o mês de abril, as maiores altas no custo médio da cesta básica de alimentos ocorreram em Campo Grande (MS), com 6,02%, João Pessoa (PB), com 2,41%, Vitória (ES), onde os preços subiram em média 2,36% e Recife (PE), com 2,21%.

Entre março e abril de 2021, o custo médio da cesta básica de alimentos aumentou em 15 cidades e diminuiu em outras duas, de acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada mensalmente pelo DIEESE em 17 capitais. As maiores altas foram registradas em Campo Grande (6,02%), João Pessoa (2,41%), Vitória (2,36%) e Recife (2,21%).

As capitais onde ocorreram as quedas foram Belém (-1,92%) e Salvador (-0,81%).

Com base na cesta mais cara que, em abril, foi a de Florianópolis, o DIEESE estima que o salário mínimo necessário deveria ser equivalente a R$ 5.330,69, valor que corresponde a 4,85 vezes o piso nacional vigente, de R$ 1.100,00. O cálculo é feito levando em consideração uma família de quatro pessoas, com dois adultos e duas crianças. Em março, o valor do mínimo necessário deveria ter sido de R$ 5.315,74 ou 4,83 vezes o piso em vigor.

Auxílio Emergencial é insuficiente para a alimentação

O professor Cassiano Trovão, do departamento de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte explica que diversos fatores contribuem para o aumento dos preços dos alimentos. Isso vai desde o aumento da taxa de câmbio, que sobe o preço dos insumos importados, a situação de pandemia que desorganiza a produção, além do aumento de preços internacionais de soja e milho, que são base na alimentação do gado. Há ainda o aumento da demanda internacional de carne, que faz com o produto suba muito de preço e torne-se mais vantajoso exportar, reduzindo a oferta interna do alimento.

Todavia, esses aumentos são sentidos principalmente nas famílias de baixa renda. “Quando os preços sobem, aquilo que é necessário descola daquilo que é realmente ganho do mercado de trabalho. Isso gera problemas na manutenção da vida principalmente das pessoas de mais baixa renda”, explica Trovão.

Uma das alternativas para minimizar esses efeitos seria o Auxílio Emergencial, política iniciada em 2020, e que teve renovação neste ano. No entanto, os valores atuais, com quatro parcelas que variam entre R$ 150, R$ 250 ou R$ 375, de acordo com o perfil de cada família, são insuficientes para arcar com o valor da cesta calculada pelo Dieese, argumenta o economista.

“O auxílio não soluciona o problema. Muito pelo contrário, deixa mais claro ainda a dificuldade que estão sendo imposta pela pandemia as famílias mais pobres. Esse cenário tende a se manter na medida em que a pandemia não é solucionada”, explica.

Atualmente, a ampla vacinação dos brasileiros e abertura de postos de trabalho poderiam desacelerar o avanço do aumento da desigualdade social no país.

“Se aumentar a vacinação, se as pessoas ocuparem postos de trabalho, e a renda do trabalho melhorar, isso pode diminuir essa situação. Mas, caso isso não ocorra, vamos vendo problemas desse tipo, de elevação de preços, prejudicando as camadas mais baixas e ampliando tanto a pobreza quanto a desigualdade”, disse Cassiano.

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