DEMOCRACIA

Vaza Jato: Novos diálogos confirmam que Moro orientava ilegalmente ações da Lava jato

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Os jornalistas do Intercept e da revista Veja trabalharam em conjunto e realizaram a maior análise das promíscuas trocas de mensagens entre juízes, procuradores e delegados que trabalharam na foça-tarefa da operação Lava-jato. Ao todo, segundo reportagem especial da revista, 649.551 mensagens foram lidas e ouvidas na apuração.

Nas palavras dos repórteres da Veja, as mensagens revelam de “forma cabal como Sergio Moro exorbitava de suas funções de juiz, comandando as ações dos procuradores na Lava Jato.” Em suma, “as comunicações analisadas pela equipe são verdadeiras e a apuração mostra que o caso é ainda mais grave”.

O atual ministro pediu à acusação que incluísse provas nos processos que chegariam depois às suas mãos, mandou acelerar ou retardar operações e fez pressão para que determinadas delações não andassem. Moro também revisou peças dos procuradores e até dava bronca neles.

“Aha uhu o Fachin é nosso”

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Em 13 de julho de 2015, Dallagnol sai exultante de um encontro com o ministro Edson Fachin e comenta com os colegas de MPF: “Caros, conversei 45 m com o Fachin. Aha uhu o Fachin é nosso”.

Mostrando que pessoas do Ministério Público Federal assumiram várias vezes o tom de torcedores, com os membros da força-tarefa vibrando a cada lance da batalha contra os inimigos.

Dicas de comunicação com Faustão

Em 7 de maio de 2016, Moro comenta com Dallagnol que havia sido procurado pelo apresentador Fausto Silva. Segundo o relato do juiz no Telegram, o apresentador o cumprimentou pelo trabalho na Lava-Jato e deu a ele um conselho.

“Ele disse que vcs nas entrevistas ou nas coletivas precisam usar uma linguagem mais simples. Para todo mundo entender. Para o povão. Disse que transmitiria o recado. Conselho de quem está a (sic) 28/anos na TV. Pensem nisso”.

De acordo com a VEJA, Fausto Silva confirmou o encontro e o teor da conversa entre ele e Moro.

Crime

O artigo 24 do Código de Processo Penal proíbe que um magistrado aconselhe uma das partes ou tenha interesse em favor da acusação ou defesa. A comprovação da troca de mensagens pode provocar a revisão dos processos julgados por Sérgio Moro.

Revista Veja faz mea culpa

Tratado como herói. Dessa maneira, a revista Veja faz mea culpa sobre a maneira que se comportava perante ao trabalho do ex-juiz federal Sergio Moro. Na edição desta sexta-feira (5) a “Carta ao Leitor” reconhece que a conduta do atual ministro “era bastante problemática e que a condução dos processos da lava-jato não se deu de acordo com a lei”.

“fica evidente que as ordens do então juiz eram cumpridas à risca pelo Ministério Público e que ele se comportava como parte da equipe de investigação, uma espécie de técnico do time — não como um magistrado imparcial. Moro cometeu, sim, irregularidades. Fora dos autos (e dentro do Telegram)”

A revista afirma que não se pode fechar os olhos para as irregularidades cometidas por Moro, mas reconhece que poucos veículos de comunicação celebraram tanto o trabalho dele.

“Há quem aplauda e defenda este tipo de comportamento, reação até compreensível no cidadão comum, cansado de tantos desvios éticos. Mas como veículo de mídia responsável não podemos apoiar posturas como essa. Um dia, o justiceiro bate à sua porta e, sem direito a uma defesa justa, a pessoa é sumariamente condenada. Na Lava-Jato ou nas operações que virão no futuro, é fundamental que a batalha contra a corrupção seja feita de acordo com o que diz o regime constitucional. Esta é a defesa de todos os brasileiros contra os exageros do Estado”.

Apesar disso, a revista afirma continuar a favor da operação Lava-jato e coloca Moro como “fundamental na luta contra a corrupção”.

 

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