OPINIÃO

Vende-se pretos e jumentos

Cara leitora e caro leitor, você já parou para pensar durante quanto tempo nesses cinco séculos de história do nosso sofrido país chamado Brasil o preto foi considerado, de fato, gente? Um cidadão, um ser humano?

Sim, eu sei: já se passaram 130 anos da abolição e de lá para cá já teve até quem acreditasse – e ainda tem – que o Brasil é o paraíso da democracia racial.

Vamos lá, vem comigo… Jornal “Correio do Natal”, edição do dia 30 de maio de 1882. Já estávamos há pouco menos de seis anos da abolição, o tráfico de escravos no Atlântico estava oficialmente proibido há meio século, mas estava lá num cantinho do jornal editado em Natal o seguinte texto, que vai com o estilo de escrita da época :

“Vende-se, por preço rasoável, um escravo de 18 annos, sadio, de bôa figura, e apto para todo serviço: Quem o pretender dirija-se a esta typographia onde saberá quem o tem para vender”.

Ah, mas naquela época era assim mesmo, Paulo. Era a escravidão, vendiam-se os escravos mesmo.

Então vamos seguir aqui no texto da nota, meu caro leitor e minha cara leitora:

Na mesma Typ. se indigitará tbem quem tem para vender 3 jumentos novos, de bôa sahida, proprios para garanhões, e p. todo serviço, por já terem a idade de 3 anos”.

Então, meus caros, o resto da reflexão eu deixo com vocês: o que acham de serem colocado à venda lado a lado com “3 jumentos novos”?

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