TRANSPARÊNCIA

Vereador de Natal explica que “Dia Sem Carne” não é obrigatório, mas projeto educativo para alertar sobre riscos de consumo excessivo

A proposta é incentivar que, uma vez por ano, as pessoas evitem o consumo de carne nos órgãos públicos municipais, mas o projeto apresentado pelo vereador Robério Paulino (PSOL), na Câmara Municipal de Natal, acabou tendo uma repercussão polêmica na capital potiguar.

Pelo documento apresentado pelo parlamentar, fica estabelecido que “cantinas, restaurantes, bares, lanchonetes, refeitórios e locais similares cujas atividades sejam desenvolvidas junto a órgãos ou entidades do Poder Público Municipal, deixarão de servir em um dia da semana, carnes e seus derivados“. Nesse dia, seriam servidos pratos de origem vegetal. Não há qualquer menção em proibir o consumo de carne pela população ou a venda em estabelecimentos privados, conforme parte da imprensa chegou a divulgar na cidade:

“Em nenhum momento se fala de proibição a bares e restaurantes privados da cidade de servir carne ou qualquer prato, como desonestamente propagaram os fabricantes de fake News. O alto consumo de carne vermelha traz grandes consequências não apenas para os seres humanos, mas também ao meio ambiente. O consumo de proteína animal vem aumentado substancialmente nas últimas décadas, de forma que, no Brasil, a pecuária em alta escala de produção tem dado uma grande colaboração para os insustentáveis níveis do consumo da água, no desmatamento das florestas para a transformação em pasto e no extermínio da biodiversidade, fatores que possuem responsabilidade no desordenamento ambiental que vivemos e no aumento da temperatura no planeta com o aquecimento global.”, esclareceu Robério.

O projeto foi atacado até pelo filho do presidente da República, Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro:

“A redução do consumo de carne não é um benefício apenas para o meio ambiente, ao contrário, colabora diretamente com a saúde dos seres humanos. Segundo diversas sociedades médicas, o alto consumo de carne pode, a longo prazo, pode causar inúmeros problemas de saúde, tais como o aumento do risco de doenças cardíacas, e há estudos que indicam que o consumo de carne pode favorecer o desenvolvimento de alguns tipos de câncer.”, defendeu Paulino.

De acordo com o vereador do PSOL, a proposta é apenas uma dentre os mais de 30 projetos apresentados na Câmara Municipal desde o início de seu mandato, iniciado na legislatura de 2021. Segundo Robério, propostas semelhantes já funcionam em algumas cidades brasileiras. Em 2017, a Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou conteúdo semelhante e algumas secretarias estaduais adotaram a Segunda-feira sem Carne.

“Infelizmente, o projeto foi desvirtuado em alguns blogs, o que gerou uma incompreensão por parte da população. Não há no projeto o termo proibição, pelo contrário, o PL é educativo, sua ideia central é estimular a reflexão sobre o tema para que cada uma ou cada um, dentro da sua vontade e do seu tempo, possa entender que é possível ter uma alimentação mais saudável, sem prejuízos à saúde, com muito sabor e diminuindo a devastação que os seres humanos causam ao meio ambiente. Para que se tenha uma ideia, um pessoas que deixa de comer carne um dia na semana, chega a economizar cerca de 3400 litros de água, o que é equivalente ao consumo diário de outras 30, e ainda deixa de emitir na atmosfera em torno de 14 kg de gás carbônico (CO2), que equivale ao trajeto de 100 km percorridos por automóvel comum”, detalha o vereador.

Robério Paulino exerce o primeiro mandato como vereador de Natal / foto: divulgação

Projeto segue tendência mundial, defende vereador

O assunto também é discutido em Porto Alegre e em outras cidades no Brasil e no mundo. Segundo o parlamentar, a iniciativa segue tendência mundial lançada nos Estados Unidos em 1985, por meio do Dia Mundial sem Carne, celebrado no dia 20 de março, que tem o apoio da Agência das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e de diversos artistas, como o Beatle, Paul McCartney.

Apesar de ser um país com muitas carências alimentares, o Brasil é um dos maiores consumidores de carne do mundo, com 160 gramas por dia por pessoa, em média. A população mais pobre, como não pode consumir carnes mais frescas, termina se refugiando nos embutidos, como a salsicha, um verdadeiro veneno para a saúde da população por conta de tantos conservantes inseridos. Existem alimentos muito melhores de origem vegetal, com um poder nutricional muito maior e mais saudável. Além disso, nosso projeto não sugere qualquer proibição da ingestão de carne por toda semana, mas apenas durante um dia e, exclusivamente, nos órgãos públicos”, reforça Paulino.

De acordo com a Agência das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação, 75% das novas doenças que afetaram os seres humanos nos últimos 15 anos são causadas por patologias provenientes da carne e outros produtos de origem animal, por isso se recomenda reduzir sua ingestão e aumentar o consumo de produtos vegetais na alimentação diária.

“Esperamos que todos aqueles que nos atacaram tenham o mínimo de decência em nos dar o mesmo espaço que usaram em seus veículos e canais para nos atacar. Pedimos a todas e todos as cidadãs e cidadãos honestas que divulguem essa nossa nota para restabelecer a verdade”, finalizou Robério, cujo projeto foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça e ainda vai passar pelas demais comissões da Câmara.

 

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