TRANSPARÊNCIA

VÍDEO: Turistas se recusam a colocar máscara e agridem nativos na praia de Pipa

A praia da Pipa foi cenário mais uma vez de demonstrações de desprezo pela vida do próximo e de descumprimento da lei. Ao ser abordado na rua para que colocasse a máscara, um casal de turistas agrediu nativos com socos e ofensas racistas. Uma das vítimas gravou os agressores, que deixaram o local e não foram identificados até a conclusão desta reportagem.

O caso ocorreu no sábado (6), por volta das 20h, quando os estabelecimentos estavam fechando, obedecendo as orientações do toque de recolher determinado pelo decreto estadual, em vigor desde ontem. A gerente de um restaurante local que pediu para não ser identificada na reportagem contou que ouviu quando a vítima, que trabalha como gerente de um hotel na praia, foi chamada de “macaca”:

– Uma moradora de Pipa, gerente de um hotel renomado, estava jantando em um restaurante em Pipa e quando estava indo embora se deparou com um grupo sem máscara e pediu que colocassem a máscara. A mulher que aparece no vídeo começou a agredir a moradora com adjetivos pejorativos e xingamentos racistas e então a moradora passou a filmar tudo, o rapaz então deferiu um soco nas costelas da moradora e fugiu do local. Estamos buscando identificar os agressores para fazer o boletim de ocorrência”, disse.

Durante a pandemia, Pipa vem ganhando destaque nacional em razão das festas privadas realizadas na área – a exemplo do réveillon – ou até aglomerações estimuladas em espaços públicos, a exemplo das imagens que registraram centenas de pessoas na via principal da cidade durante o carnaval.

Em fevereiro, durante o carnaval, a governadora Fátima Bezerra chegou a intervir, enviando as forças de segurança do Estado à praia de Pipa para impedir aglomerações nas ruas. Um decreto estadual estava em vigor proibindo festas e eventos com muitas pessoas.

A gerente que denunciou as agressões de ontem contou que o comércio da praia já está trabalhando com horário reduzido, obedecendo ao decreto:

Os horários estão conforme o decreto do Governo do Estado, o toque de recolher seguido desde a segunda de carnaval. Os estabelecimentos seguem todas as normas e obrigações conforme os decretos. Sejam hotéis ou bares e restaurantes. As vítimas pediram para não serem identificadas. Pelo menos não agora. Mas foi muito surreal. Estamos já trabalhando com horário reduzido, na baixa e sofrendo por essas pessoas que não nos respeitam”, desabafou, antes de concluir evitando generalizar o comportamento das pessoas:

“A agressão de ontem é um caso isolado, mas que não deve ser calado jamais”, disse.

 

 

 

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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