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Violência: 87% das vítimas de homicídios em 2017 no RN eram negras

No ano mais violento da história do Rio Grande do Norte, 87% das vítimas de homicídios eram negras. É o que apontam os mais recentes dados do Atlas da Violência divulgados nesta segunda-feira (5) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O estudo revela que a possibilidade de um negro ser morto no Rio Grande do Norte é 5,6 maior do que a de um branco.

A taxa de homicídios no Estado potiguar é o dobro da média nacional, de 43,1 mortes violentas para cada 100 mil habitantes. Ao todo, foram 1.928 pessoas negras assassinadas no Estado durante aquele ano, em um universo de 2.203 homicídios registrados.

Dados aumentaram durante gestão Robinson

Os dados também mostram que a violência aumentou vertiginosamente no Estado entre os anos de 2015 e 2017, durante a gestão do ex-governador Robinson Faria (PSD).

Neste período, o Atlas da Violência registrou um aumento de 42% nas taxas de homicídios registrados no Estado.

Em relação ao país, o Rio Grande do Norte foi o Estado com uma dos maiores taxas, saindo de 44,8 em 2015 para 62,8 homicídios a cada 100 mil habitante, em 2017.

Aumento das taxas de homicídios a cada 100 mil habitantes entre os anos de 2015 e 2017 (DADOS: Atlas da Violência)

Também chama a atenção o perfil da maioria dos jovens assassinados. As vítimas tinham idade entre 15 e 24 anos, não estudavam, não trabalhavam e eram vulneráveis à pobreza.

O Atlas da Violência é um trabalho de pesquisa realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Municípios mais violentos

De acordo com o relatório atualizado com dados até 2017, o Rio Grande do Norte contou com a maior taxa estimada de homicídios no Nordeste.

As cidades mais violentas no Estado, incluindo aquelas com população inferior a 100 mil habitantes, estão concentradas nas regiões Leste e Oeste, sendo São Gonçalo do Amarante a terceira mais perigosa no quadro nacional e Mossoró a 17º, segundo o Atlas.

Ainda de acordo com o Atlas da Violência, no Rio Grande do Norte, o município de São Gonçalo do Amarante é o primeiro, com uma taxa de 121,1 homicídios; seguido por Mossoró, com 86,4; Natal, com 73,4; e Parnamirim, com 61,2.

Promessas de Robinson

Dentre as promessas de mandato feitas pelo ex-governador Robinson Faria para segurança pública, apenas uma foi cumprida totalmente: a instalação da polícia comunitária com o programa Ronda Cidadã.

Crime organizado

Uma das causas atribuídas aos altos índices de violência, de acordo com o documento, foi a “guerra” entre facções de crime organizado.

O ano de 2017, analisado pelo Atlas, foi o mais violento da história do Rio Grande do Norte, e no qual o Estado conquistou o posto de mais violento do país.

“Nesse estado, há a predominância do Sindicato do Crime, grupo criado por dissidentes do PCC em 2012, devido a ‘discordâncias administrativas’. Essa facção criminosa, presente no estado desde 2006, apesar de ter controle de poucos bairros da capital potiguar, detém  o poder econômico e consequentemente o controle das rotas de distribuição nacional e internacional de drogas, em um dos estados que se insere entre os principais na rota do tráfico de drogas do Brasil para a Europa”, revela o relatório.

Em 2017, a rebelião no presídio de Alcaçuz deixou 26 mortos e 16 desaparecidos. O massacre no maior presídio do estado além de ter sido causado por briga entre facções, também encontrou na superlotação um dos maiores responsáveis para a amplificação da crise. Na época, o presídio possuía capacidade para 620 detentos, mas abrigava cerca de 1.150.

 

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Pedro Torres
Pesquisador e jornalista com foco em direitos humanos, política e tecnologia baseado em Natal/RN. CONTATO: pedrohtorres@outlook.com

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