CIDADANIA

Vítima de homofobia no RN realiza campanha para acompanhar julgamento em Brasília

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Após denunciar um caso de homofobia enquanto trabalhava num dos supermercados da rede Assaí Atacadista, Udson Mafra Sbrana está promovendo uma campanha de financiamento coletivo para conseguir acompanhar sessão do Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília. O grupo Cassino, detentor da rede, recorreu à decisão, em segunda instância, na qual foi condenada a indenizar a vítima por danos morais após ficar comprovada o crime de homofobia, constatado por uma série de discursos e atos discriminatórios contra o ex-funcionário em razão de sua orientação sexual. Com o recurso da empresa, Udson e a defesa precisam acompanhar o julgamento em Brasília. A luta é importante para a população LGBTQ+ porque pode abrir nova jurisprudência em nível nacional para casos semelhantes.

Militante do coletivo LGBTQ+ Leilane Assunção, Udson Sbrana luta há cinco anos na justiça pela condenação da empresa Assaí Atacadista. O ex-funcionário foi alvo, repetidas vezes, de expressões como “voz fina”, “bicha”, “viado” e “gay” nas instalações do Assaí. Esse tratamento foi relatado pela vítima e por quatro testemunhas ouvidas durante o processo movido na Justiça do Trabalho, na qual houve a condenação por parte do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 21ª Região, agora levada à última instância, em Brasília.

+ Justiça condena supermercado Assaí por homofobia no RN

O julgamento está marcado para o próximo dia 23 de outubro, e como Udson não dispõe de condições financeiras para custear a ida ao julgamento dele e da defesa, além da estadia de ambos em Brasília, o Coletivo está levantando uma campanha de financiamento coletivo por meio da internet. De acordo com nota, é essencial “o apoio de cada um(a) que entende a importância dos direitos LGBTQ+ e da solidariedade entre aquelas e aqueles que integram a classe trabalhadora nas lutas contra os que nos exploram e nos oprimem, sejam elas nos locais de trabalho, nas ruas ou na justiça“.

Udson explica que o processo é importante porque abre nova jurisprudência para toda a população LGBTQ+ que sofre com casos semelhantes de preconceito e discriminação em ambientes de trabalho.

“Depois de eu ter vencido em todas as instâncias, a empresa recorreu mais uma vez e conseguiu levar o meu processo para a mais alta corte trabalhista do país. Estou criando uma nova jurisprudência em nível nacional, que vai beneficiar todas as minorias! Essa luta não é só minha. Sofri dentro dessa empresa durante 8 meses e luto contra ela nos tribunais há quase 5 anos“, defende o ex-funcionário.

Os interessados em contribuir podem acessar a campanha online.

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Pedro Torres
Pesquisador e jornalista com foco em direitos humanos, política e tecnologia baseado em Natal/RN. CONTATO: pedrohtorres@outlook.com

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