OPINIÃO

Vitória de Fátima para o Governo encerraria, sim, ciclo de oligarquias no RN

Liderando as pesquisas para o Governo do RN, Fátima Bezerra (PT) é a favorita para ter maior votação que o adversário Carlos Eduardo Alves (PDT) e conseguir a vitória. Na última pesquisa Seta, divulgada nesta terça, a senadora tem quatro pontos de vantagem sobre o ex-prefeito de Natal. Além de ter obtido importantes apoios nos últimos dias. Como cereja do bolo, Carlos se recusou a ir ao debate da TV Ponta Negra desta terça, fazendo com que o evento se tornasse uma sabatina para Fátima.

Uma vitória de Fátima teria alguns simbolismos para o Rio Grande do Norte. Seria a primeira vez que o PT chegaria ao Governo Estadual, em um dos poucos estados nordestinos onde o petismo não chegou lá (junto com Alagoas e Maranhão, mas este atualmente governado pelo PC do B). Seria também a primeira vez que uma mulher não vinculada às famílias políticas chegaria ao poder.

Por falar nisso, muita gente transformou a disputa entre Fátima e Carlos como a possível pá de cal nas “oligarquias”, os grupos familiares que dominam a política potiguar há meio século, tendo em vista os resultados das eleições do dia 7. Outro grupo contesta o fato, registrando que Fátima tem apoio de políticos de famílias tradicionais e que, portanto, a ruptura não será tão grande como a esperada.

Paixões à parte, podemos analisar o seguinte quadro:

Ainda que tenha o apoio de políticos tradicionais e de sobrenomes conhecidos, como Ezequiel Ferreira de Souza e Theodorico Bezerra Neto, Fátima, em vencendo a eleição, chegará ao poder em uma união de forças que em primeiro momento contemplou PT, PC do B (que tem o candidato a vice, Antenor Roberto) e PHS. No lado oposto a Fátima, os poderosos MDB, PDT, PSDB, DEM e partidos de Centro-Direita outros, todos derrotados.

A eleição de Fátima Bezerra tirou o mandato a partir do ano que vem para membros da família Alves (Garibaldi), Maia (José Agripino e Márcia) e Rosado (Beto e Larissa), além de sacramentar a saída de cargos públicos de Rogério Marinho e Robinson Faria, mais dois que carregam nomes ilustres.

Mesmo que componha com políticos tradicionais, o que é inevitável para garantir governabilidade, Fátima terá um secretariado eminentemente técnico e/ou ligado a partidos progressistas. Além disso a própria biografia dela, professora paraibana de família simples que não tem parentes na política, contrasta com a dos ocupantes do Governo do Estado, como podemos ver:

Não computando aqui os vices que assumiram para o eleito pela população tentar outro cargo (geralmente o Senado), temos a seguinte cronologia, em ordem decrescente:

Em 2014, o eleito Robinson Faria, assumiu o Governo com o filho Fábio Faria já deputado federal e ele próprio é filho de quase-governador (Osmundo Faria perdeu indicação certa para o Governo para Lavoisier durante a Ditadura Militar).

Em 2010, venceu Rosalba Ciarlini Rosado, esposa do ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado, filho e herdeiro político de Dix-sept Rosado, governador do Estado nos anos 60, tendo falecido em desastre de avião no meio do mandato.

Em 2006 e 2002, duas vitórias de Wilma de Faria, ex-esposa do já citado ex-governador Lavoisier Maia e ela própria sobrinha-neta do lendário líder político Dinarte Mariz.

Em 1998 e 1994, dois êxitos de Garibaldi Alves Filho, sobrinho do patriarca político Aluízio Alves e primo do ex-deputado federal por 11 mandatos Henrique Eduardo Alves e do já supracitado Carlos Eduardo, além de pai do hoje deputado federal reeleito Walter Alves.

Em 1990, José Agripino Maia vence o primo e ex-governador Lavoisier Maia. Agripino que é filho de ex-governador Tarcisio Maia e que começou neste período a colocar o filho Felipe Maia na política.

Em 1986, venceu Geraldo Melo, usineiro e ligado aos Alves, que posteriormente fez a esposa Edinólia Melo prefeita de Ceará-Mirim e o irmão Pedro Melo, deputado estadual.

Em 1982, quando era possível voltar a votar para governador após os famigerados anos de Ditadura Militar e governos impostos pelos generais de plantão, José Agripino, já biografado aqui venceu Aluízio Alves, já citado aqui, e como se sabe pai de Henrique, tio de Garibaldi e Carlos, sim o mesmo Carlos que disputa o Governo com Fátima.

E quem leu acima com atenção entende porque ela difere de todos os governadores anteriores e porque uma vitória de Fátima quebraria um paradigma no Rio Grande do Norte.

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