OPINIÃO

Viva a arte. Viva a pessoa artista !

Para meu marido artista,

Cláudio Damasceno.

Hoje é o Dia Internacional da Arte. A princípio a data foi idealizada como Dia Mundial da Arte pelos membros da organização não-governamental International Association of Art (IAA/AIAP), criada em 1948 em Paris e parceira da UNESCO desde 1951. A entidade é composta por artistas da área de artes visuais (pintura, escultura, gravura e outras). O dia 15 de abril foi escolhido pelos associados da IAA/AIAP em homenagem ao aniversário de nascimento do artista italiano Leonardo Da Vinci (1452-1519).

A ideia de trazer Leonardo Da Vinci para o centro dessa celebração nos induz ao entendimento sobre a pessoa artista como detentora de muitas habilidades, como foi o “polímata” – pessoa que conhece muitas ciências – Leonardo Da Vinci: desenhista, escultor, inventor, pintor… Nos dias atuais, o conjunto de obras de arte produzidas por Da Vinci são reconhecidas como uma riqueza para toda a humanidade.

A primeira celebração do Dia Mundial da Arte aconteceu em 15 de abril de 2012, à época a proposta partiu de um grupo de artistas visuais. Muito embora, hoje a data também seja importante para dar visibilidade às demais áreas da arte e à pessoa artista. A efeméride foi pensada com o objetivo de promover a conscientização sobre a atividade criativa e de incentivar os talentos vocacionados à arte em todo o mundo.

A vocação (vocatio = voz) é a inclinação íntima do indivíduo, o apelo interior que nos direciona para um interesse particular e – provavelmente – distinto dos demais à nossa volta. Muitas vezes a vocação é vista como aptidão natural, porém, a educação formal é fundamental para despertar a consciência da criança, da pessoa jovem e mesmo dos adultos e orientá-la a essa vocação, bem como a desenvolver habilidades artísticas.

Outro fato relevante desta comemoração é que a atividade artística ajuda a difundir os direitos fundamentais humanos: o direito às artes, a liberdade de expressão, a solidariedade humana e o laicismo nas artes. O principal lema da associação IAA/AIAP é “sem cultura, sem futuro”. Desde o início de 2020, o temor sobre a falta de perspectivas de futuro devido a pandemia de Covid-19, tem despertado vários debates sobre a importância das artes durante o isolamento social, as políticas culturais de fomento do setor cultural, as condições de sustento da pessoa artista e a acentuação das desigualdades socioculturais nos países pobres/em desenvolvimento.

É sabido que, com a pandemia, muitas instituições culturais foram fechadas, inúmeras atividades suspensas e, inclusive, contratos de trabalho e apresentações artísticas foram canceladas. Há um ano as condições financeiras de inúmeros artistas têm sido duramente afetadas, muitos precisaram migrar para outras atividades. Alguns artistas passaram a criar conteúdo específico para interagir com o público online, através da internet, nas redes sociais e nas plataformas de streaming.

Por coincidência, o Dia Mundial da Arte tornou-se Dia Internacional da Arte no ano passado, quando foi inserido oficialmente no calendário da UNESCO como um dos “dias internacionais da UNESCO”. Todas as celebrações mundiais que aconteceram em homenagem à data passaram a ser transmitidas de modo virtual.

Em uma das cartas enviadas pelo Presidente da IAA/AIAP aos demais membros da organização, como forma de motivação de seus associados, o turco Bedri Baykam lamenta que a pandemia tenha apagado um pouco o brilho do Dia Mundial da Arte. Por outro lado, Bedri Baykam também constata que uma das habilidades da pessoa artista é a de saber improvisar e superar momentos de dor, ainda que durante a pior tragédia.

Assim, Baykam destaca a figura heroica do violinista inglês Wallace Hartley (1878-1912), curiosamente morto em um dia 15 de abril, que tocava seu instrumento enquanto o transatlântico Titanic naufragava. A orquestra continuou tocando durante duas horas e meia, depois que o barco chocou-se com um iceberg até afundar. Mas, apesar da confusão e do desespero, Wallace Hartley e a orquestra composta por oito músicos seguiram adiante executando sua profissão criativa. A caixa com o violino foi encontrada amarrada ao corpo de Wallace Hartley.

É provável que Bedri Baykam desconheça que, aqui no Brasil, tivemos um artista que, literalmente, deu a vida pela pintura: Cândido Portinari (1903-1962). Foram pelo menos cinco mil obras de arte, dentre as quais os painéis Guerra e Paz, presenteados à sede da ONU, em Nova York.

Em 1954, após muitos problemas de saúde, Portinari sofreu uma intoxicação por chumbo causada pelo uso contínuo das tintas. Apesar de advertido pelo médico sobre sua condição, Portinari teria comentado: “Estão me impedindo de viver” e continuou o seu ofício até 1962, ano de seu falecimento.

No Brasil, a comemoração do Dia Nacional das Artes abrange todas as atividades artísticas desde 12 de agosto de 1978, a partir do Decreto Lei n° 82.385 e a Lei n° 6.533, de 24 de maio de 1978. Estas leis regulamentaram a profissão de Artista e Técnicos em Espetáculos e Diversões, além de uma centena de outras funções na área artística.

[1] Doutora em Direito, pesquisa sobre as Relações Culturais Internacionais.

 

 

 

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Gilmara Benevides
Gilmara Benevides é doutora em Direito, interessada em história e relações culturais internacionais.

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