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Zenaide Maia: “Não fui eleita pra vender minha mãe nem pra tirar direito de trabalhador”

 

Zenaide Maia surpreendeu quem imaginava que ela seria mais uma parlamentar de sobrenome tradicional a defender os interesses da própria família. Ao contrário, os votos nos projetos mais importantes contrariaram os interesses do PR, partido pelo qual se elegeu em 2014. Foi suspensa, censurada e optou pelo caminho mais óbvio: mudar de legenda.

Nesta entrevista especial, a deputada federal Zenaide Maia (PHS) fala sobre os desafios da atual legislatura, os projetos que abraçou nos primeiros anos de mandato, a briga com o PR, a desconfiança natural de parte do eleitorado e por quê decidiu agora se candidatar ao Senado Federal.

 

Agência Saiba Mais: Qual o peso do sobrenome Maia na sua carreira política ?

Zenaide Maia: Eu sou filha de pai pequeno agricultor, minha mãe costurava para ajudar em uma família de 16 irmãos. A origem da família é a mesma do José Agripino, mas o parentesco não é tão próximo. Os Mais são parte da Paraíba e parte do Rio Grande do Norte. A origem é em Catolé do Rocha, Brejo do Cruz. Somos de Jardim de Piranhas, onde só tinha o primário. A partir do ginásio a gente tinha que estudar em Caicó. Meu pai é de 1911, mas já achava que mulheres deveriam se formar antes de casar. Numa época em que a visão das famílias era preparar mulher para casar, meu pai não tinha nem o primário e se esforçou para criar a família.

 

E como a filha de um pequeno agricultor conseguiu se formar em Medicina naquele tempo ?

 Caicó oferecia educação de qualidade não só para privilegiados, estudava do filho do pequeno agricultor ao filho do prefeito no colégio. Por conta dessa educação fui para Recife e passei na faculdade de Medicina da UFPE. Mas sou uma exceção, como médica. O filho de quem tem dinheiro tem escola privada, aulas de reforço, inglês, nutricionista e psicólogo para concorrer com o filho de quem ganha um salário mínimo, pega dois ônibus e muitas vezes encontra a escola em greve. Essa concorrência não é leal.

 

A senhora é a favor da política de cotas, então…

Sou a favor da política de cotas e sou coautora da política de cotas para os deficientes. Tenho um filho deficiente intelectual, por conta de um erro médico, e Cesinha é muito importante nesse meu trabalho. Hoje existe a política de 5% de vagas para deficientes nos processos seletivos e também para as universidades. Se existe algo que me deixou feliz foi isso. Outro dia, o Instituto Federal de Natal me falou que o atual processo seletivo aprovou 40 deficientes visuais, auditivos…

 

Alguma experiência na política antes da eleição para deputada federal ?

Fui secretaria de saúde de Parnamirim há 20 anos e depois assumi a secretaria de saúde de São Gonçalo.

 

E a lei do nepotismo ?

Quando Jaime (Calado, ex-prefeito de São Gonçalo e marido de Zenaide) ganhou eu achei que não poderia assumir por causa da lei do nepotismo, mas disseram que a lei não valia para o primeiro escalão e aceitei. Acho que dei umas cores importantes na gestão. Fiz residência em doença infecto contagiosa, atuei como médica da universidade com carga horária de 20 horas e do Estado mais 20 horas. Optei pela medicina pública. Não tenho nada a contra a medicina privada, mas não teria coragem de atender alguém que não tem dinheiro para pagar.

 

E a experiência como gestora de saúde ?

Vi que como médica ou secretária de saúde posso ajuda um número limitado de pessoas. Mas você só pode ajudar o município, um estado e um país com políticas. O poder é o Congresso: porque faz a lei, aprova e se o presidente vetar ainda pode derrubar o veto. É o congresso nacional que define a vida. Eu já sabia que o Congresso tinha poder. Mas quando chega lá você se impressiona. Qualquer medicamente, alimento, para ir para prateleira é preciso ser aprovado no Congresso. É quem diz quanto vai ser o salário, quantas horas você vai trabalhar por semana e com que idade vai se aposentar É o Congresso que determina a vida do povo brasileiro.

 

Qual sua primeira ação logo que assumiu o mandato ?

Foi assumir a comissão de seguridade social, saúde e família. É onde passa a vacina, o produto, onde se define a vida saudável do povo. Todos dizem que essa legislatura foi umas das coisas mais difíceis de se ultrapassar porque de repente esse Governo que está aí resolveu dizer que os trabalhadores e os servidores públicos são o problema desse país. E eu não concordei. Em seguida veio o impeachment e eu tinha certeza que Temer e Eduardo Cunha não eram solução para o país. E eu tinha razão.

 

Na semana que antecedeu ao impeachment, a imprensa nacional disse que a senhora foi contra a cassação da ex-presidenta Dilma porque ela prometeu um cargo no Banco do Brasil para seu irmão João Maia. Isso ocorreu ?

Eu não tenho nenhum cargo nem aceitei cargo algum. Eu não aceito nem emendas a mais porque o preço disso é muito caro. João Maia tinha condições de ter um cargo a nível de qualquer lugar sem ter nada a ver com essa votação. Nunca me envolvi com isso porque vi quando cheguei que o preço é caro.

 

Haviam muitas negociações nos bastidores naquela votação. A senhora foi chamada para alguma conversa ?

Não houve conversa alguma. Já sabiam que eu tinha opinião formada, que eu não ia ceder. Mas infelizmente o impeachment era um ato consumado. Acho que temos que derrotar as pessoas nas urnas. Hoje se sabe que não teve nada de pedalada fiscal diante do que a gente está vendo aí. As instituições sérias desse país não concordam com o que a gente está vendo.

 

Seu partido na época, o PR, apoio abertamente o impeachment e segue na base do governo Temer. Como resistiu às pressões ?

No dia da votação do impeachment muitos disseram que ainda estava em tempo (de votar pela abertura do processo de cassação). Quando votei, Dilma já tinha perdido e por isso alguns colegas insistiam. Teve uma que me falou: “quando vai votar com a bancada?” E eu disse: “no dia que vocês votarem a favor do povo, me chamem”. Falando assim parece uma coisa simples, mas não era. Formaram um corredor polonês na hora, aquela votação não foi gratuita. Houve um grande investimento, e eles mostraram depois que tinham um projeto. E eu fui em cima. Quando começam a defender eleição de empresários no lugar de políticos, prestem atenção. Os empresários são quem mais votam contra os trabalhadores.

 

A cisão entre a senhora e o PR foi em que momento ?

Na votação da PEC 241, foi quando o partido me puniu.

 

De que forma ?

 O PR me tirou tanto da propaganda nacional como da estadual, eu não poderia aparecer. E queriam me tirar de algumas comissões também, mas como sou muito atuante, alguns partidos disseram para a direção do PR que se me tirasse das comissões eles me indicariam de forma independente. A população não vê, mas temos um trabalho muito atuante nas comissões. O PR já sabia que eu não podia votar aquele absurdo. Eu tinha opinião sobre isso. Você consiga convencer o povo que está no caminho certo, mas depois de eleito arrumar uma pedalada !? Imagine se fosse hoje a história daquela mala e do apartamento cheio de dinheiro ? Aquela PEC congelou investimentos durante 20 anos em segurança, saúde, educação e assistência social. Nunca vi isso na minha vida.

 

Que projetos a senhora relatou nesses três anos e destacaria na sua atuação ?

Fui relatora do projeto de lei que proibiu a venda dos refrigerantes nas cantinas, no ensino básico e fundamental. Era um projeto que estava há 10 anos tramitando, tinha muito lobby, mas aprovei tanto na comissão de seguridade como na de Educação. Eu via o seguinte: os filhos dos ricos não tomavam mais refrigerante, que é um dos grandes fatores da obesidade infantil, e a gente mexe com grandes empresas. Se você forma crianças e jovens sem refrigerantes provavelmente eles não serão um adulto usuário de refrigerante que faz tanto mal à saúde. Então esses projetos polêmicos, que alguns deputados têm medo de desagradar o governo, passavam para mim.

 

A senhora é relatora do projeto que limita juros nos cartões de crédito…

É uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que limita juros dos cartões de credito, cheque especial e qualquer financiamento dos bancos a, no máximo, três vezes a taxa Selic. Está na comissão de Constituição e Justiça, foi posta em votação, o (Henrique) Meireles (ministro da Fazenda) mandou tirar… hoje a taxa Selic é menos de 7% ao ano, então os juros seriam menos de 20% ao ano. E esses cartões cobram 300%, até 400% de juros, numa extorsão às famílias brasileiras. O cartão de credito faz parte do orçamento. O Banco Central me informou que esses cartões praticam em seus países de origem 1% ao ano e o Congresso Nacional permite que o povo brasileiro seja extorquido dessa forma. E PEC o presidente da República não pode vetar, são dois turnos na Câmara e no Senado. Então temos a oportunidade, desde novembro de 2015, de dar esse presente ao povo brasileiro. O que é um banco, senão um agiota oficial ? Não educa, não constrói e não edifica, mas infelizmente…

 

Houve pressão dentro do PR para travar esse projeto ?

O próprio PR falou na época: “vixe, Zenaide”… mas poderiam ver isso. Essa PEC ajuda o comércio. Hoje você compra um carro e paga cinco. Mas poderiam vender mais quatro, concorda ?

 

E como está a situação desse projeto hoje ?

Como o governo decretou a intervenção federal no Rio de Janeiro não pode aprovar nenhuma PEC, mas não vou deixar isso morrer, não. O Congresso Nacional deve isso à população brasileira. Tudo o que você compra paga três vezes o mínimo. É a PEC 160/2015 que acrescenta o parágrafo 4º ao artigo 192 da Constituição. Em 2008 se colocou que o juro podia ser no máximo 12%, mas isso engessava a política monetária do Banco Central.

 

Dos principais retrocessos votados pela atual legislatura, na visão da senhora, o que mais é prejudicial ao país?

Tem muita coisa, mas o Governo aprovou uma medida provisória lesa pátria, que é uma renúncia fiscal por 25 anos de RRF, IPI, o que juntos representam 100% do Fundo de Participação dos Municípios… uma contribuição para as petroleiras estrangeiras que receberam nosso pre-sal praticamente de graça. Como é que o Governo vai para a televisão dizer que o país está falido ? Mas os parlamentares que votaram isso vão para os municípios oferecer ambulância, consultório dentário… mas tiraram milhões dessas cidades.. Gosto de falar sobre isso, mas sinceramente não vejo nada bom. Isso sem falar no desmonte da CLT.

 

O emprego formal continua em queda…

Essa reforma afetou a família que não tem no orçamento. O que é o trabalho intermitente? Eu trabalho num shopping, meu contrato é de 44 horas, mas meu patrão pode dizer quantas horas ele me quer e quando. É uma família que não tem no orçamento. Porque ele pode dizer: “Zenaide, não venha hoje que o movimento está fraco”. E eu vou receber pelas horas trabalhadas. Isso vai interferir no meu 13º, nas férias e na aposentadoria. Mulher grávida em ambiente insalubre !? Até os acordos de guerra não permitem isso porque você está condenando uma criança que nem nasceu ainda. E o mais grave: contratado sobrepondo ao legislado. Como o contrato pode valer mais que uma lei !? Sou médica por formação e não sou idiota para não ver um negócio desse. Quem vai pagar isso? As mulheres. Porque mãe nenhuma vai deixar faltar alimento na mesa do filho. E vai aceitar o que o patrão quiser. E eu lhe digo: o assedio moral vai crescer.

 

A PEC do teto dos gastos…

Quando eu vejo meus colegas fazendo discurso pela Segurança Pública tendo votado pelo congelamento dos investimentos por 20 anos como naquela PEC… eu nunca vi um negócio desse na minha vida. É uma ironia. Você foi lá e bota que por 20 anos não pode investir em segurança, saúde, educação e assistência social. O Temer diz que quer ajudar o Rio, mas tem dificuldade por causa dessa PEC.

 

Muita gente no Rio Grande do Norte esperava que a senhora fosse repetir seus colegas de bancada, representasse sua família. Como foi o impacto das suas votações junto aos eleitores ?

Como eu votaria a favor de uma medida provisória que tira milhões dos municípios, que é onde o povo mora ? Não deixo de colocar emendas em instituições estruturantes. Já botei R$ 4,5 milhões nos Institutos federias porque eles contingenciaram a educação e visitei os 21 campis. Quando vi que a ideia era fazer o apartheid… essa interiorização… invisto no educação. Hospitais estruturantes. Se o prefeito é do PSDB, e daí ? Salvei a vida do Seridó todo. Liga de Natal, liga do Seridó, Varela Santiago, Onofre Lopes… quando se contingencia tira isso tudo da saúde. Maternidade Januário Cicco…. temos que olhar não só para o prefeito.

 

A senhora imaginou fosse fazer um mandato diferente ?

Todos que estão lá já disseram que nunca houve uma legislatura tão conturbada. Mas mais grave é o que estão fazendo com o povo brasileiro. Estão vendendo o nosso patrimônio. Estão querendo vender a Casa da Moeda. A gente estuda na história das guerras que a primeira coisa que um país vencedor faz é impor sua moeda ao derrotado. E como a gente vai vender isso ? Isso é inédito. A venda da Eletrobrás é um crime. Eu não fui eleita para vender minha mãe que tem 90 anos e muito menos tirar direito de trabalhador. Saí do partido, que me deu essa oportunidade. Essas votações não são gratuitas. Eu não entro em CPI, por exemplo. Já tem 11 órgãos controladores. O que posso dizer ao povo é que essas votações não são de graça.

 

Como foi a convivência com o Eduardo Cunha ?

O Eduardo Cunha é um cara de inteligência acima da média, mas eu notava e o via como uma pessoa muito próximo do psicopata. Ele adora ficar olhando parado aquelas brigas entre os deputados. Eu ficava só olhando as reações dele….

 

Como a senhora  vê a situação do Lula ?

Olha, uma boa parte do povo que bateu panela já está discernindo. Disseram que iam tirar o partido mais corrupto, mas a população está vendo que não era bem assim. Você tem um senador, comprovadamente com R$ 2 milhões, a irmã dele com contas fora do país, denúncia com avião de cocaína, mas ele não perde nem o mandato porque a presidente do Supremo mandou ele voltar para o Senado. O presidente é pego com malas, achou pouco e todo escalão está envolvido em tudo, assessor com apartamento cheio de dinheiro, que alguns dizem que era o boi de piranha… e do outro lado você vê o presidente Lula. Posso dizer porque na primeira eleição votei no Fernando Henrique Cardoso, mas aquele cara destruiu as universidades brasileiras. Ele fez uma portaria proibindo a construção de institutos federais. Eu era residente e vi os hospitais negligentes, com 60% dos leitos infantis ocupados por desnutrição grave. Então, acordei. Independente do Partido, tem que respeitar o Lula.

 

Qual sua visão sobre o processo do tríplex do Guarujá ?

O apartamento que dizem que é dele a juíza mandou a OAS entregar ao devedor, não tem uma conta na suíça. O que esse cara tem ? FHC tem apartamento em Paris, em Nova York. A população tem acordado, essa história de que não tem prova, mas tem convicção… se as pessoas estiverem pensando que essa jurisprudência vai ficar só em Lula estão enganados. Todo mundo sabe que esse crime é político.

 

Por quê decidiu disputar uma vaga no Senado ?

Surgiu espontaneamente, as pessoas dizendo: “vá para senadora”.

 

A imprensa chegou a dizer que o fato do seu irmão João Maia ter decidido se candidatar a deputado federal a obrigou a disputar o Senado…

Minha decisão foi independente de João ser candidato ou não… Agora não tenho como não ter gratidão pelo PR. É pelo fato deu ter ido lá e mostrado que podemos fazer um bom trabalho, que não é todo mundo farinha do mesmo saco. Agora também sou contra reeleições sem fim. Pra mim teria que ter um número de mandatos, independente de qualquer coisa a gente poda gerações. Se você fica 40 anos num mandato você poda mais de uma geração. Quem criou os poderes foi o povo, não podemos esquecer isso.

 

Mas se a senhora tentasse a reeleição teria que disputar a mesma base com João Maia, não ?

Antes de João definir a volta para a Câmara já foi surgindo isso. A base mais ou menos, mas tenho muito voto de opinião, de pessoas esclarecidas. Sou muito fã das rádios comunitárias. Gosto da coisa muito viva, por isso gosto de feira livre. Adoro pechinchar. Essa é Zenaide, sertaneja. Quero voltar ao Congresso, mas jamais serei contra município. Pressionei muito para aquela repatriação que era um dinheiro novo que o governo ainda não tinha reservado. O governo prometeu R$ 2 bi para mais de 5 mil municípios, não entregou um centavo e ainda tirou milhões.

 

A senhora vai enfrentar dois senadores com mais de 40 anos de vida pública, Garibaldi Alves e José Agripino Maia…

Um dos candidatos foi prefeito de Natal biônico, teve oito anos como governador e completa 32 anos de Senado. O outro foi deputado estadual, prefeito, governador e tem quase 50 anos de mandato. Você jamais vai me ver falar dos colegas… mas qualquer brasileiro que tenha espirito coletivo sabe que o Congresso é para lutar por direitos. Costumo dizer que não estou candidata contra A, B ou C. Estou pré-candidata ao Senado para continuar com esse trabalho de não deixar tirar direito de quem já tem muito pouco. O parlamentar tem que ter um olhar de espírito coletivo porque você define a vida de pessoas mais carentes.

 

Qual o diferencial do Senado ?

Senado é órgão regulador e representa também, tem paridade estadual, mas não deixa de dar visibilidade aos problemas. Vejo diferença.

 

Por quê escolheu o PHS ao sair do PR ?

Na época o PT falava comigo, me procurou… me identifico muito com Fátima, ela veio do interior, defende dos trabalhadores. Mais com Fátima do que com o PT. O PHS me deu liberdade. Até votou a favor do impeachment, mas não tem cargo no Governo, não cedeu a tudo. O PHS sabe que vou me posicionar, enquanto o PR está cada vez mais próximo de tudo o que a gente está vendo aí…

 

A aliança com a senadora Fátima, que já anunciou a pré-candidatura ao Governo do Estado, é natural ?

É natural, ela defende os trabalhadores como eu.

 

Como estão as conversas sobre suplentes na chapa ?

Não estou discutindo suplente. Não há imposição, não. Pela primeira vez na historia desse país a gente não sabe quem são os candidatos a governador. A essa altura já estava se discutindo se ia ter segundo turno ou não. Não adianta ficar conjecturando. Política é momento. Eduardo Cunha é um exemplo. As pessoas dizendo que ele era o melhor Presidente e eu pensava: “vou começar a ir de tênis para o congresso para não escorregar na baba”.

 

A senhora é a única mulher de uma bancada com sete homens. Há discriminação na política ?

Existe discriminação. Quando vou para outro país, o mundo todo reconhece que enquanto as mulheres são maioria e estão representadas em 10% do parlamento, a sociedade não está bem representada. Nos sentimos bem rebaixadas. Na Bolívia as mulheres são 40% na política. Eles começaram com cotas… no México é 45%, na Argentina é 30%, isso está na lei. Hoje temos 10% e se não houver imposição… A Bolívia tem 40% mas tem poucas mulheres de qualificadas, então criaram um instituto para poder qualificar as mulheres. Não queremos privilégio, mas tem que nos empoderar.

 

Como está a relação com seu irmão João Maia ?

Tudo bem. Essa briga que criaram nunca existiu. A gente não nunca teve nada, essa é a democracia. O João já sabia que eu tinha opinião. Claro que as vezes o partido pressionava e vinha através dele, mas ele como meu irmão já sabia como eu votava. Eu explico e as pessoas entendem porque eu estou votando.

 

Haverá uma campanha dobrada com Zenaide para o senado e João Maia para deputado federal ?

Nem conversamos ainda. Ele já sabia que eu ia sair do partido. João é muito partido, foi o cara que formou esse o PR.

 

Confiante nas pesquisas que indicam a senhora com boas chances de vencer ?

O povo sente quem está. Muitas vezes o partido vinha fazer a propaganda eu dizia: “não vou falar isso não”. Mas por quê? Porque se nem eu estou acreditando nisso aí, que dirá o povo. Claro que ainda existem aqueles currais. Mas quando vi aquele jovem de Currais Novos que desafiou duas oligarquias (Odon Júnior, prefeito de Currais Novos)… Não subestimem a inteligência da população.

 

Como a senhora se sentiu sendo ameaçada por fãs do Bolsonaro ao descer no aeroporto de Natal ?

Eu desci sem entender nada. Começaram a gritar “golpista, golpista”. Aí é que eu não entendi nada, mas como desceu Garibaldi e Agripino logo atrás, eles aproveitaram o arrastão para gritar aquilo. Até porque golpista eu não sou.

 

 

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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